Fichamento de Rafael Arosa Prol Otero
Hobsbawn. A Era
das Revoluções. 1789 – 1848. Editora Paz e Terra. 1977
CAP 6. AS REVOLUÇÕES.
I
Poucas vezes a incapacidade dos governos de conter as
revoluções foi tão expressa quanto pós 1815. Mesmo com as tentativas na Europa
de sufocar revoluções influenciadas pelas Rev. Francesa, o revolucionarismo foi
endemico. Entre 1815 e 1848, produziram-se 3 grandes ondas revolucionárias no
mundo ociental:
• 1820-24: Revoluções na Espanha (1820),
influenciaram decisivamente os movimentos separatistas latinoamericanos que já
vinham se sublevando desde as campanhas napoleônicas na Espanha e Portugal.
• 1829-1834: A onda revolucionária de 1830. Marca
definitivamente a derrota dos aristocratas pelo poder burguês na Europa
Ocidental, cuja aristocracia governaria por 50 anos através de democracias
limitadas, enfrentando agitações internas de movimentos trabalhistas e de
revoltas pequenoburguesas motivadas pelas mudanças políticas oriundas do
desenvolvimento econômico e social. 1830 marca um ano proeminente para a
industrialização e urbanização da Europa e EUA, para as migrações humanas,
história das artes e ideologia.
• 1848: Revoluções na França, na Itália, Na Alemanha
e Suíça. “Não houve nada tão próximo de uma revolução mundial […] o que em 1789
fora o levante de uma só nação era agora, assim parecia,‘a primavera dos povos‘
de todo um continente”.
II
Os diferentes momentos da Rev. Francesa legou um
conjunto de modelos de sublevação política que serviram para organizar as
rebeliões a partir das eras pós-napoleônicas, surgidos do descontentamento com
os sistemas políticos europeus, culminando em diferentes momentos de
instabilidade e organização revolucionária devido as diferenças em condições
sociais e políticas das nações, acentuadas pós 1830. 3 principais tendências.
• Liberal moderado (classe média superior e
aristocracia liberal). RF 1789-91. Ideal político da monarquia constitucional
oligárquica. Instalados pós 1830 na França, UK e Bélgica.
• democrata radical (classe média inferior, pequenos
industriais, intelectuais). RF 1792-93. república democrática e estado de
bem-estar social – Constituição jacobina
• Socialista (trabalhadores pobres). RF Jacobinos
extremados, primeiro comunistas e Conspiração dos Iguais de Babeuf.
III
Composição e organização: revolucionários x
reacionários até 1831. A reação estava organizada principalmente na união
dos príncipes absolutistas sob a liderança do czar, que viam toda a oposição
como um bloco indivisível de subversivos. Já os movimentos revolucionários
europeus na época possuíam pouco em comum além do ódio pelas tradicionais
instituições hegemônicas: Igreja, Monarquia e Aristocracia. Entre 1815-48 houve
na verdade o processo de desintegração dessa frente unida.
Em grande parte, a oposição política era formada por
pequenos grupos progressistas da elite culta e rica, que enxergava para si o
papel de emancipadores, libertadores da massa de trabalhadores explorados, por
sua vez vista como inerte e ignorante -; os progressistas dividiam-se entre os
reformadores da classe média (Ex. Stuart Mill) e outros mais radicais (dos
quais surgiam na Inglaterra os primeiros oradores conectados organicamente). A organização
revolucionária encontrava certa unidade nas irmandades secretas disperas por
toda a Europa, cuja tradição derivava da maçonaria, tinham participação
importante de militares (muitos liberais) e grupo mais expressivo foram os carbonari que produziram expressivas
revoltas entre 1820-21 e se expressou também na Restauração.
As tensões entre moderados e radicais no momento em
que pesava o ônus da derrota ou mesmo a divisão dos poderes após a tomada do
poder dividiram em dois a Esquerda europeia e os movimentos passaram a ganhar
mais caráter nacional. O liberalismo moderado triunfou na França, UK e Bélgica;
as vitórias parciais na península ibérica e Suíça produziu um equilíbrio de
forças com os católicos e anti-liberais, o que permitiu a alternância de
poderes.
IV
As massas populares nos centros industriais se
organizavam e se politizavam de maneira cada vez mais autônoma ao
mesmo passo que a situação de vida no campo e nas cidades ficavam mais
dramáticas – a pesar de só neste último haver de fato condições para
mobilização. Para tal foram importantes manifestações como o teatro popular de Johann
Nestroy e as teses de Owen do cooperativismo inspiraram a formação dos Sindicatos
Gerais na Inglaterra. Já na França o movimento proletário não alcançaria sucesso
até 1848, porém dali surgiam ramos do socialismo utópico (Saint-Simon) e, a partir
de 1830, dos descendentes do jacobinismo – Auguste Blanqui -, mas a fraqueza
das bases populares na França mantinha os movimentos revolucionários apartados
na elite.
Neste passo, mobilizar as camadas populares era um
desafio e um risco para as elites revolucionárias na Europa Ocidental. Onde os
liberiais alcançavam o poder, sempre com ajuda dos radicais, logo surgiam
hesitações, traições e perseguições contra as massas populares radicalizadas;
Os moderados apostavam no reformismo. As decepções entre os revolucionários
após 1831, despedaçou o internacionalismo unificado em torno França, na esperança
que dali sairia a fagulha que incendiaria a Europa, e deu lugar a diferentes movimentos
nacionalistas independentes de radicais, republicanos e proletários.
V
Já nas nações menos industrializados – Espanha,
Hungria, Polonia, Ucrania, Impérios Russo, Turco e Austríaco -, as camadas
populares eram formadas pelo campesinato, ainda ignorantes e passivos
politicamente e muitas vezes vivendo em regimes servis. Esta situação dava
vantagem para os poderes legitimadores da Igreja e da Aristocracia de guiá-los.
A esquerda se dividia nestes países entre a extrema esquerda e os democratas –
que apostavam em geral na conciliação com os proprietários de terra e viam a conveniência
de aliança com o campesionato nas situações em que se combatiam o campesinato.
A extrema esquerda nesses países - abertamente
revolucionária, adepta da crítica social e próximos dos babovista e blanquistas
– teve muitas dificuldades de obter apoio de setores amplos e de aproximar-se
politicamente do campesinato. As revoluções de 1848 nesses países foram pouco
expressivas.
VI
As condições sócio-políticas entre 1830-48 já
estão dadas: as lutas revolucionárias nacionalizaram-se e apesar da
politização das massas populares nos centros mais desenvolvidos, a capacidade
de comando vinha em grande parte das classes médias intelectuais em que os
herdeiros das sociedades carbonários tentavam constituir organizações legais –
naturalmente expandindo-se assim entre as classes mais baixas.
Entretanto, as movimentações políticas dissidentes
encontravam barreiras na criminalização e na inexistência de veículos de
comunicação de massa (fora da Inglaterra e EUA).
No plano das reivindicações políticas, as revoltas
neste período constituíam-se ainda na aliança de burgueses e socialistas em
prol da democracia e contra a monarquia. Somente na Inglaterra os conflitos
entre burguesia e os movimentos proletários já eram mais latentes.
A idéia de como se daria a revolução era bem
difundida entre a esquerda europeia baseado no Jacobinismo da Rev. Francesa e
na perspectiva da fraternidade internacional entre os povos. Ocorreria
a tomada da capital e derrubada do governo através do levante armado e de
barricadas. Proclamaria-se a republica e um governo provisório, seriam feitas
eleições democráticas para uma Assembléia Constituinte. O internacionalismo
decrescia entre os nacionalista a medida que as nações tornavam-se independentes,
mas crescia entre os movimentos revolucionários de orientação proletária.
A fraternidade internacionalista também nutria-se dos
exílios políticos de revolucionários e apolíticos de proletários reassentados.
Principalmente Paris e Viena tornaram-se ambientes de aprendizado internacional
para elites intelectuais progressistas da Rússia, Oriente Médio, Américas, e
formação dos revolucionários que preparam a revolução de 1848. Em certo
ponto, os exilados transformaram-se "de fato em corpos internacionais
de militância revolucionária". Todo levante libertário entre 1831 e 1871
teve participação de poloneses e – em menor volume – italiano.
Encontrei aqui vários livros do Hobsbawn pdf em Portugues. Inclusive 'Como mudar o mundo'
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