Escrito originalmente em Paris como tese de doutorado, sob a orientação de Lucien Goldmann, a obra é essencialmente um estudo da evolução política e filosófica de Karl Marx no contexto histórico das lutas sociais na Europa durante os decisivos anos de 1840 a 1848 e, em particular, sua relação com as experiências de luta da classe operária em formação e com o primeiro movimento socialista/comunista.
Löwy relata o aparecimento, no jovem Marx, de uma nova concepção de mundo: a filosofia da práxis, fundamento metodológico de sua teoria da revolução como autoemancipação do proletariado. O livro busca compreender a gênese histórica do novo materialismo inaugurado por Marx por meio de uma pesquisa interdisciplinar que se vincula, ao mesmo tempo, à sociologia, à história social, à filosofia e à teoria política.
Fichamento do texto por Diego
Noveli Valadares:
Michael Löwy, A teoria da
revolução no jovem Marx, Introdução
1.
Observações metodológicas
a.
Premissa de um estudo marxista do marxismo
Pretende-se realizar um estudo marxista da
evolução político-filosófica em Marx, e para isso é necessário inserir essa
evolução na totalidade histórico-social que a condicionou e não fazer uma
separação artificial entre os juízos de fato e os juízos de valor.
b.
Quadros sociais do marxismo: o proletariado
O conhecimento dos quadros sociais e
históricos é indispensável para compreender a evolução do pensamento de Marx,
descobrir seus elementos importantes e sua significação real, situar cada
elemento no todo e etc. Esses quadros seriam basicamente a estrutura econômica
e social, a superestrutura política, as superestruturas ideológicas e a
conjuntura histórica precisa. Outro elemento importante é a autonomia parcial
da esfera das ideias, que inclui as regras específicas de continuidade e
desenvolvimento das ideias, as exigências de lógica interna da obra e até os
traços específicos do pensador como indivíduo. Defende que é possível um autor
de uma determinada classe se identificar com outra classe, fazer obras e
defender ideologias que pertencem a ela a partir do momento em que passa a ter
os mesmo objetivos, metas e interesses que essa classe. Termina o tópico
explicando os níveis existentes entre dois extremos: a consciência psicológica
e a consciência de classes.
c.
A ciência revolucionária do jovem Marx
Demonstra o aspecto monista da obra de
Marx, onde os fatos e valores não estão misturadod, mas organicamente ligados
ao interior de um único movimento do pensamento, de uma ciência crítica, onde a
explicação e a crítica do real estão dialeticamente integradas. A ciência de Marx é crítica e revolucionária
porque se situa no ponto de vista do proletariado.
2.
A revolução comunista e a auto emancipação do proletariado
a.
O mito do supremo salvador
A alienação política burguesa surge
através de conceitos como a livre concorrência e a propriedade privada, pois
cria uma sociedade de indivíduos egoístas em luta uns com os outros que
precisam projetar o interesse coletivo em algo fora da sociedade, acima dos
indivíduos. Já a alienação econômica acontece quando existe a separação entre o
indivíduo produtor e o conjunto do processo de produção, que o fazem acreditar
em um conjunto de leis econômicas “naturais”, estranhas à sua vontade. Essa
relação da alienação econômica com a alienação política acaba gerando o mito do
supremo salvador na constituição do Estado liberal.
b.
A auto emancipação operária
Assim como os burgueses, o proletariado
tinha seus próprios mitos no início. Acreditavam que a mudança viria do alto,
através da ajuda de instituições já existentes. Os momentos de crises e
revoluções, entretanto, acabaram gerando um novo ponto de vista nessa questão,
e o proletariado passou a ter consciência de que a mudança poderia ser feita
através da força das massas.
c.
O “comunismo de massas” de Marx
A ideia principal do comunismo de massas é
a da autolibertação das massas através de uma revolução comunista. O caráter
revolucionário e comunista do proletariado é o traço de união entre a teoria
política de Marx e a sua sociologia, economia, filosofia da história, etc.
Vendo os movimentos e grupos autônomos de operários surgindo, Marx passa a
considerar o seu papel e o dos comunistas como um instrumento da autolibertação
das massas.
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