segunda-feira, 9 de julho de 2018

A teoria da revolução do jovem Marx

Escrito originalmente em Paris como tese de doutorado, sob a orientação de Lucien Goldmann, a obra é essencialmente um estudo da evolução política e filosófica de Karl Marx no contexto histórico das lutas sociais na Europa durante os decisivos anos de 1840 a 1848 e, em particular, sua relação com as experiências de luta da classe operária em formação e com o primeiro movimento socialista/comunista.

Löwy relata o aparecimento, no jovem Marx, de uma nova concepção de mundo: a filosofia da práxis, fundamento metodológico de sua teoria da revolução como autoemancipação do proletariado. O livro busca compreender a gênese histórica do novo materialismo inaugurado por Marx por meio de uma pesquisa interdisciplinar que se vincula, ao mesmo tempo, à sociologia, à história social, à filosofia e à teoria política.

Fichamento do texto por Diego Noveli Valadares:

Michael Löwy, A teoria da revolução no jovem Marx, Introdução
1. Observações metodológicas
a. Premissa de um estudo marxista do marxismo
Pretende-se realizar um estudo marxista da evolução político-filosófica em Marx, e para isso é necessário inserir essa evolução na totalidade histórico-social que a condicionou e não fazer uma separação artificial entre os juízos de fato e os juízos de valor.

b. Quadros sociais do marxismo: o proletariado
O conhecimento dos quadros sociais e históricos é indispensável para compreender a evolução do pensamento de Marx, descobrir seus elementos importantes e sua significação real, situar cada elemento no todo e etc. Esses quadros seriam basicamente a estrutura econômica e social, a superestrutura política, as superestruturas ideológicas e a conjuntura histórica precisa. Outro elemento importante é a autonomia parcial da esfera das ideias, que inclui as regras específicas de continuidade e desenvolvimento das ideias, as exigências de lógica interna da obra e até os traços específicos do pensador como indivíduo. Defende que é possível um autor de uma determinada classe se identificar com outra classe, fazer obras e defender ideologias que pertencem a ela a partir do momento em que passa a ter os mesmo objetivos, metas e interesses que essa classe. Termina o tópico explicando os níveis existentes entre dois extremos: a consciência psicológica e a consciência de classes.

c. A ciência revolucionária do jovem Marx
Demonstra o aspecto monista da obra de Marx, onde os fatos e valores não estão misturadod, mas organicamente ligados ao interior de um único movimento do pensamento, de uma ciência crítica, onde a explicação e a crítica do real estão dialeticamente integradas.  A ciência de Marx é crítica e revolucionária porque se situa no ponto de vista do proletariado.

2. A revolução comunista e a auto emancipação do proletariado
a. O mito do supremo salvador
A alienação política burguesa surge através de conceitos como a livre concorrência e a propriedade privada, pois cria uma sociedade de indivíduos egoístas em luta uns com os outros que precisam projetar o interesse coletivo em algo fora da sociedade, acima dos indivíduos. Já a alienação econômica acontece quando existe a separação entre o indivíduo produtor e o conjunto do processo de produção, que o fazem acreditar em um conjunto de leis econômicas “naturais”, estranhas à sua vontade. Essa relação da alienação econômica com a alienação política acaba gerando o mito do supremo salvador na constituição do Estado liberal.

b. A auto emancipação operária
Assim como os burgueses, o proletariado tinha seus próprios mitos no início. Acreditavam que a mudança viria do alto, através da ajuda de instituições já existentes. Os momentos de crises e revoluções, entretanto, acabaram gerando um novo ponto de vista nessa questão, e o proletariado passou a ter consciência de que a mudança poderia ser feita através da força das massas.

c. O “comunismo de massas” de Marx

A ideia principal do comunismo de massas é a da autolibertação das massas através de uma revolução comunista. O caráter revolucionário e comunista do proletariado é o traço de união entre a teoria política de Marx e a sua sociologia, economia, filosofia da história, etc. Vendo os movimentos e grupos autônomos de operários surgindo, Marx passa a considerar o seu papel e o dos comunistas como um instrumento da autolibertação das massas.



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