domingo, 15 de julho de 2018

Manifesto do Partido Comunista

O Manifesto do Partido Comunista foi elaborado por Marx e Engels como programa da Liga dos Comunistas por decisão do seu II Congresso realizado em Londres entre 29 de Novembro e 8 de Dezembro de 1847. Representava o triunfo dos defensores da nova linha proletária no quadro das discussões havidas no interior do movimento.
No âmbito deste debate Engels havia elaborado já um projeto de Profissão de Fé Comunista segundo a forma de "catecismo" ao tempo utilizada com frequência em documentos de diferentes organizações operárias e progressistas.
No entanto, Marx e Engels rapidamente chegaram à conclusão de que a forma de "manifesto" seria a mais adequada à nova fase e aos objetivos da luta.
Ainda em Londres e depois em Bruxelas, Marx e Engels trabalharam juntos na redação do texto. Tendo Engels partido para Paris em finais de Dezembro, a versão definitiva foi elaborada por Marx fundamentalmente durante o mês de Janeiro de 1848 e remetida finalmente para Londres, onde viria a ser publicada pela primeira vez em fins de Fevereiro do mesmo ano. 

https://www.marxists.org/portugues/marx/1848/ManifestoDoPartidoComunista/index.htm#tr1


Análise do texto por NATHALIA LEOCADIO RUBIO

MARX, K. Manifesto comunista. São Paulo: Boitempo, 1999.

I – BURGUESES E PROLETÁRIOS
Tudo nos mostra a lutas de classe entre opressores e reprimidos, que sempre resultam ora em uma transformação revolucionária, ora em uma destruição das duas classes em luta. Para Marx, seu tempo é a época da burguesia, que se conflita com a nova classe que nasce, o proletariado. Todas as condições do capitalismo, as navegações, a colonização e a busca por novos mercados e recursos impulsionaram o comércio e a industria, e consigo, a manufatura.
Logo, a manufatura suplanta os mestres das corporações, e esses, viram a manufatura insuficiente, que possibilitou o vapor e a maquinaria. A manufatura perde espaço para grande indústria, que passa seu lugar posteriormente aos verdadeiros chefes dos exércitos industriais, que chamamos de burgueses modernos.
Portanto, a própria burguesia moderna é o produto de um longo processo de desenvolvimento, de uma série de revoluções no modo de produção e de troca.
A burguesia, na teoria marxista, consegue finalmente, sob controle do mercado mundial, a soberania política exclusiva no Estado representativo moderno, no qual o governo moderno não é senão um comitê para gerir os negócios comuns de toda a classe burguesa. Entretanto, Marx diz que a Burguesia não cumpriu seu papel revolucionário nesse recorte histórico, sendo acomodada. “A Burguesia só pode existir com a condição de revolucionar os instrumentos de produção, as relações de produção e com isso, todas as relações sociais”.
A Burguesia traz com o seu sistema, grandes crises por superprodução, mas conseguem superá-las, de um lado, pela destruição violenta de grande quantidade de forças produtivas; de outro lado, pela conquista de novos mercados e pela exploração mais intensa dos antigos. Isso leva a sociedade as crises mais extensas e mais destruidoras, e à diminuição dos meios de evitá-las, pois a burguesia mundial precisa disso.
O proletário, cansado de se vender diretamente e se tornando apêndice do maquinário, está sendo desenvolvido para tirar a burguesia do poder com as próprias armas que os burgueses tiraram os senhores feudais. Já a luta da burguesia sempre ocorre, primeiro contra a aristocracia; depois, contra as frações da própria burguesia cujos interesses se encontram em conflito com os progressos da industria; e sempre contra a burguesia dos países estrangeiros, além de sua constante luta contra o proletariado (o único autêntico revolucionário, os outros são conservadores). Cada luta, antes, deve ser travada em seu país, e depois ela explode para todo o mundo, todos os movimento proletários de uma vez.

II – PROLETÁRIOS E COMUNISTAS
Os comunistas não formam um partido à parte, oposto aos outros partidos operários, porém se diferencia dos outros partidos, pois são o impulso dos demais, que prezam os interesses comuns do proletariado, independentemente da nacionalidade. Seu interesse é o mesmo que dos demais partidos proletários: a constituição dos proletários em classe, derrubada da supremacia burguesa e a conquista do poder político pelo proletariado.
Para chegar ao seu interesse, tem como objetivo a abolição da propriedade privada, pois é ela que representa a propriedade burguesa que acolhe o modo e meios de produção. Eles não querem a abolição da propriedade em geral, mas sua divisão pelo fruto do trabalho do indivíduo.
Sobre o trabalho assalariado, é o quanto o operário precisa para viver como um operário, sem evoluir.
O comunismo quer suprimir o caráter miserável desse valor de trabalho. Para o burguês o trabalho acumulado sempre gera mais acumulações para ele; no comunismo, a acumulação enriquece e melhora o modo de existência do proletário.
A questão da família no centro burguês, não existe no proletariado porque não há vida sem ser o trabalho. Passa-se da educação doméstica para a educação social, que no comunismo deve tirar as influências da classe dominante.
A primeira fase da revolução operária é o advento do proletariado como classe dominante, a conquista da democracia. Deve-se extinguir o capital, que é resultante da escravização do proletário. Marx sugere dez medidas para os países mais adiantados, que incluem taxação de impostos; abolição do direito de herança; centralização dos meios de transporte; educação pública e gratuita as crianças; dentre outras medidas voltadas para ações estatais. A partir dessas medidas, a classe proletária se converte como classe dominante e destrói violentamente as antigas relações de produção, juntamente com as classes no geral, concluindo sua própria destruição como classe e se reconfigurando numa associação do livre desenvolvimento pessoal é condicionado a partir de todos.

III – LITERATURA SOCIALISTA E COMUNISTA
1 - O Socialismo Reacionário
A) O Socialismo Feudal: Na luta das aristocracias francesa e inglesa contra a sociedade burguesa, não podiam traçar mais uma luta política séria, no qual só lhes restava uma luta literária. Nasce o Socialismo Feudal a partir da iniciativa da Aristocracia acusar a burguesia contra os interesses unicamente operários, cantarolando sátiras sobre os novos senhores burgueses. Esse socialismo feudal andava lado a lado ao socialismo clerical.
B) O Socialismo Pequeno-Burguês: Os pequenos burgueses e os pequenos camponeses da Idade Média foram precursores da burguesia moderna. Entre o proletário e o grande burguês, se aproxima do proletário devido à concorrência. Demonstrou a hipocrisia dos economistas; os efeitos ruins das máquinas e da divisão do trabalho, da concentração de capitais, da propriedade territorial, da superprodução, das crises e em último caso, da miséria do proletariado. Em prol de restabelecer as antigas relações de propriedade, na manufatura, o regime corporativo; na agricultura, o regime patriarcal.
C) O Socialismo Alemão ou o “Verdadeiro” Socialismo: Nasceu no começo da luta entre a burguesia alemã contra o absolutismo feudal, a partir de aspirações da literatura socialista da França. Essa literatura perde o significado e aparece puramente como especulação ociosa sobre a realização da natureza humana. Era o interesse do ser humano, e não do proletário. Ex: sob a crítica francesa das funções do dinheiro e sobre o Estado Burguês, os alemães escreveram da “alienação humana” e da “eliminação do poder da universidade abstrata”. Representavam, na verdade, o interesse da pequena burguesia alemã em detrimento da burguesia dominante.
2- O Socialismo Conservador ou Burguês
Uma parte da burguesia procura remediar os males sociais com o fim de consolidar a sociedade burguesa, entre eles os economistas, filantrópicos, humanitários etc. Esse socialismo burguês quer as condições de vida da sociedade moderna sem as lutas e seus perigos. Querem a burguesia, sem o proletariado. Não quer o fim das relações burguesas de produção, só reformas administrativas realizadas sob essas formas.
3- O Socialismo e o Comunismo Utópicos e Críticos
O Comunismo de antes, que falhara pelo estágio de evolução do proletário e também de suas condições materiais, preconizava um ascetismo geral e um grosseiro igualitarismo. A classe operária só existe para eles como a classe mais sofredora, querendo melhorar suas condições de vida, mas não só desse grupo
que sofre, mas de toda a sociedade, sem acabar com a burguesia. Não são reacionários, e para Marx têm uma visão futura fantasista. Procuram conciliar os antagonismos e se opõe a qualquer ação política, que pode promover uma falta de fé no novo Evangelho.

IV- POSIÇÃO DOS COMUNISTAS FRENTE AOS DIFERENTES PARTIDOS DE OPOSIÇÃO
Os comunistas voltam sua atenção para a Alemanha que está prestes a uma revolução burguesa; mas encaram essa revolução como o prelúdio imediato de uma revolução proletária. Os comunistas proclamam abertamente que seus objetivos só podem ser alcançados pela derrubada violenta de toda a ordem social existente.

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