quarta-feira, 15 de agosto de 2018

O legado das revoluções: possibilidades e impossibilidades emancipatórias no presente (aula final)

A aula final do curso será ministrada na terça-feira dia 21/08, ocasião em que receberei o trabalho sobre o tema "como mudar o mundo".

Para essa aula, discutirei brevemente 3 textos: 

1) O capítulo 6 do livro Sobre a Revolução de Hannah Arendt, intitulado "A tradição revolucionária e seu tesouro perdido;

2) O capítulo final do livro A esquerda difícil de Ruy Fausto, intitulado "Para um balanço crítico das revoluções [e de alguns movimentos de Reforma] do século XX (A Esquerda onde está?);

3) O artigo "Para uma definição ontológica da Multidão",  publicado pela primeira vez na revista Multitudes n.9, Ed. Exils, Paris com o título "Pour une definition ontologique de la multitude", p. 36-48, e no Brasil no nº 19-20 da revista Lugar Comum:

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Pós-Democracia e o Futuro da Teoria Crítica - 16 e 17/08 na UFABC - SBC

16 e 17 de Agosto de 2018
UFABC
São Bernardo do Campo
Alameda da Universidade s/n.
Auditório 5 - Beta

"Post-Democracy and The Future of Critical Theory"

FRUTO DE UMA PARCERIA ENTRE A UFABC (POR INICIATIVA DO PPG-FIL e PCHS), O CEBRAP E A UNIVERSIDADE ALEMÃ DUISBURG-ESSEN, E COM FINANCIAMENTO DO DEUTSCHE WISSENSCHAFTS UND INNOVATIONSHÄUSER, O EVENTO DISCUTIRÁ OS DESAFIOS, DILEMAS E POTENCIAIS DA DEMOCRACIA, COM ESPECIAL FOCO NO CASO BRASILEIRO.

NÃO É NECESSÁRIA A INSCRIÇÃO PRÉVIA, MAS HAVERÁ LISTA DE PRESENÇA E EMISSÃO DE CERTIFICADO PARA OS PARTICIPANTES!

Programação: https://postdemocracy.weebly.com/programaccedilatildeo.html

Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/321420795065470/


domingo, 12 de agosto de 2018

A restauração da lei e da ordem (Agamben, Estado de Exceção)

“Diante do incessante avanço do que foi definido como uma `guerra civil mundial`, o estado de exceção tende sempre mais a se apresentar como o paradigma de governo dominante na política contemporânea. Esse deslocamento de uma medida provisória e excepcional para uma técnica de governo ameaça transformar radicalmente – e, de fato, já transformou de modo muito perceptível – a estrutura e o sentido da distinção tradicional entre os diversos tipos de constituição. O estado de exceção apresenta-se, nessa perspectiva, como um patamar de indeterminação entre democracia e absolutismo.” (Giorgio Agamben)

Obra fundamental para entender o Estado e a política contemporânea, Estado de Exceção expõe as áreas mais obscuras do direito e da democracia. Justamente as que legitimam a violência, a arbitrariedade e a suspensão dos direitos, em nome da segurança, a serviço da concentração de poder.

Na aula da próxima sexta-feira, dia 17/08, analisaremos o primeiro capítulo do livro.

Revolução e violência (H. Arendt, Sobre a violência)

"Essas reflexões foram provocadas pelos acontecimentos e debates dos últimos anos, vistos no contexto do século XX, o qual tornou-se de fato, conforme predissera Lênin, um século de guerras e revoluções. Portanto, um século da violência que atualmente se acredita seja seu denominador comum".

Assim começa o ensaio de Hannah Arendt denominado On Violence, escrito entre 1968 e 1969, publicado em diversas versões no Brasil, entre elas como capítulo terceiro do livro Crises da República (São Paulo: Perspectiva, 2008).

Analisaremos esse texto na aula da próxima terça-feira, dia 14/08.

Como leitura complementar desse tema, indico o seguinte material:

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Aula de reposição: dia 10/08, das 18 às 19 horas na sala 105 do Alfa 1

Nesta sexta-feira dia 10/08 teremos a segunda parte de nossa aula de reposição.
Entregarei os exercícios corrigidos da segunda parte do curso.

A aula será das 18 às 19 horas na  sala A1-S105 (ao lado da nossa sala habitual).

terça-feira, 7 de agosto de 2018

As “Teses sobre o conceito de história” de Walter Benjamin

“As teses “Sobre o conceito de história” (1940) de Walter Benjamin constituem um dos textos filosóficos e políticos mais importantes do século XX. No pensamento revolucionário talvez seja o documento mais significativo desde as “Teses sobre Feuerbach” de Marx. Texto enigmático, alusivo, até mesmo sibilino, seu hermetismo é constelado de imagens, de alegorias, de iluminações, semeado de estranhos paradoxos, atravessado por fulgurantes intuições.”
Michael Löwy



domingo, 5 de agosto de 2018

O Capital - Arlequins apresenta Marx - UFABC SBC



Dia 07 de agosto de 2018, no auditório 001 do bloco beta (UFABC campus SA) a cia Arlequins Grupo de Teatro realizará o espetáculo "O capital", que trás para os palcos a temática pautada por Karl Marx. 

SINOPSE: O espetáculo “O Capital " é inspirado na obra O Capital, de Karl Marx. Em cena estão atores/narradores transitando com várias figuras históricas, literárias e mitológicas, citadas pelo autor ou criadas pela fantasia Arlequins como Adam Smith, Cérbero, Circe, Engels, Fausto, Marx, Mefistófeles, Midas, Prometeu, Robinson Crusoé, Sexta-Feira, Trabalhadores, Ulisses e outros ilustrando através de situações cômicas e muita música cada episódio.

“O capitalista se apoia, na lei da troca de mercadorias. Como qualquer outro comprador, ele busca tirar o maior proveito possível do valor de uso de sua mercadoria. Mas eis que, de repente, ergue-se a voz do trabalhador, que estava calada no frenesi do processo de produção: ‘A mercadoria que eu te vendi distingue-se da massa das outras mercadorias pelo fato de seu uso criar valor e, mais do que isso, um valor maior do que aquele que ela mesma custou. Foi por isso que a compraste. [...] Não cansas de pregar-me o evangelho da 'parcimônia' e da 'abstinência'. Pois bem! Desejo, como um administrador racional e parcimonioso, gerir meu próprio patrimônio: a força de trabalho. [...] Exijo, portanto, uma jornada de trabalho de duração normal, e a exijo sem nenhum apelo a teu coração, pois em assuntos de dinheiro cessa a benevolência. [...] Exijo a jornada de trabalho normal porque, como qualquer outro vendedor, exijo o valor de minha mercadoria.’” – O Capital – Karl Marx - Livro I

LOCAL: BETA A001 - UFABC SBC
ENDEREÇO: ALAMEDA DA UNIVERSIDADE, SBC - SP, 09606-045
ENTRADA FRANCA
HORÁRIO: 19H.

Gramsci e o conceito de revolução passiva

Antonio Gramsci (1891-1937), teórico e ativista político marxista, nasceu na Sardenha, Itália, em janeiro de 1891. Estudou na Universidade de Turim e em 1913 se filiou ao Partido Socialista Italiano. Suas leituras de Marx, Engels e Lenin o levaram a rechaçar o idealismo filosófico e, assim, em 1921, juntou-se ao grupo que fundaria o Partido Comunista Italiano (PCI). Foi perseguido e preso em 1926, durante o regime fascista de Benito Mussolini. Depois de onze anos de confinamento e maus-tratos, durante os quais foi impedido de ver a família, foi libertado, mas morreu dois dias depois. Na cadeia, produziu entre 1929 e 1935 uma obra fenomenal, manuscrita em mais de trinta cadernos, que entraram para a história do marxismo. Seus trabalhos versam sobre literatura, hegemonia cultural, história da Itália, economia, materialismo histórico e teoria política, entre outros temas, tornando-se referência para os pesquisadores dos estudos culturais, da teoria crítica e da cultura popular em geral. Seus ensaios escritos antes da prisão foram publicados em jornais operários e socialistas. No Brasil, esses textos podem ser encontrados nos dois volumes de seus Escritos políticos, editados por Carlos Nelson Coutinho e Luiz Sérgio Henriques em 2004. Do período de cárcere, há duas obras, as Cartas do cárcere (2005), escritas para parentes e amigos e posteriormente reunidas para publicação, e as mais de duas mil páginas que deram origem aos Cadernos do cárcere (1999-2002).

Para a aula da próxima terça-feira, dia 07/08, estudaremos os 4 textos disponíveis na coletânea "As armas da Crítica" da editora Boitempo. Para o exercício de leitura que deverá ser entregue na aula, o texto a ser analisado é "O conceito de Revolução Passiva" (páginas 255-261).

domingo, 29 de julho de 2018

Rosa Luxemburgo e a revolução

Rosa Luxemburgo (1871-1919) foi uma judia-polonesa-alemã nascida em Zamosc, cidade da Polônia então pertencente à Rússia. Iniciou sua militância política ainda adolescente, em Varsóvia, e por essa razão foi perseguida. Emigrou aos 18 anos para a Suíça, doutorando-se na Universidade de Zurique. Em Berlim, ao lado de Karl Liebknecht, defendeu posições antimilitaristas e internacionalistas dentro do Partido Social-Democrata Alemão (SPD) e ajudou a fundar a Liga Espartaquista, semente do Partido Comunista da Alemanha (KPD). Sua atuação política fez com que fosse presa em 1915 e 1916, sendo libertada em 1918. Envolveu-se ativamente na revolução de novembro, liderada pelos espartaquistas, mas em janeiro de 1919 o levante foi esmagado pelo governo socialdemocrata. Rosa foi presa novamente, torturada e assassinada com Liebknecht e outros líderes do partido. Líder revolucionária enérgica e apaixonada, grande teórica e polemista dentro do marxismo, escreveu, entre outros textos, “Reforma social ou revolução?” (1899) – no qual polemiza com Eduard Bernstein, teórico da socialdemocracia alemã –, “Greve de massas, partido e sindicatos” (1906), Acumulação do capital (1913) e “A Revolução Russa” (1918). Uma seleção de seus principais escritos foi publicada em 2011, em três volumes, pela Editora Unesp, com organização e revisão técnica de Isabel Loureiro.

Para a aula da próxima sexta-feira dia 03/04, discutiremos o texto "Sobre a Revolução Russa", publicado na coletânea "As Armas da Crítica" da editora Boitempo (pp. 240 - 248)

Trotski e o conceito de "revolução permanente"

Leon Trotski (1879-1940) nasceu em Liev Davidovitch Bronstein, na Ucrânia, e tornou-se político, militante, escritor e filósofo. Participou ativamente da Revolução Russa de 1917, foi presidente do soviete de Petrogrado, em 1905, comissário do povo para Negócios Estrangeiros após a vitória da revolução e um dos principais organizadores do Exército Vermelho. Na disputa com Josef Stalin pelos rumos do partido e da União Soviética,  após o afastamento de Lenin por problemas de saúde, acabou expulso do partido, em 1927, e da União Soviética, em 1929. Foi assassinado em agosto de 1940 no México, onde estava exilado, dois anos depois de ter fundado a IV Internacional. Escreveu ampla obra, na qual se destacam A revolução permanente (1929), História da Revolução Russa (1930-1932), A revolução traída (1936) e a autobiografia Minha vida (1930). Em português foram publicadas, entre outros, os livros: Revolução e contrarrevolução na Alemanha (Ciências Humanas, 1979); O pensamento vivo de Karl Marx (Ensaio, 1993); Literatura e revolução (Zahar, 2007);  História da Revolução Russa (Sundermann, 2007) e Revolução de Outubro (Boitempo/Iskra, 2007).

Para a aula da próxima terça-feira, dia 31/07, analisaremos a Introdução do livro " A Revolução Permanente" publicada na coletânea "As armas da crítica" da editora Boitempo (pp. 206-210).

Para consultar parte da obra de Trotski em português, ver:

domingo, 22 de julho de 2018

Aviso sobre entrega dos exercícios e presença nas aulas

Caras e caros estudantes,

Aviso que a partir da aula da próxima sexta-feira, 27/07, só receberei os fichamentos de texto pessoalmente antes do início da respectiva aula. Infelizmente, tem ocorrido frequentemente o envio de texto por e-mail sem o comparecimento à aula para o debate. Com isso, o exercício acaba perdendo o sentido. Por essa razão, não receberei mais os exercícios de leitura por e-mail, a não ser em caso de justificada impossibilidade de comparecimento à aula ou caso alguma aula venha a ser suspensa.

Deixo avisado também que alguns exercícios entregues se revelaram insuficientes e por isso a respectiva nota não foi contabilizada. Dediquei a aula extra realizada em 13/07 para a entrega dos exercícios da primeira parte do curso e dedicarei uma hora antes da aula do dia 10/08 (das 18 às 19 hrs) para a entrega dos textos da segunda parte. Aqueles que ainda não retiraram os textos corrigidos da primeira parte devem me procurar para ver se algum exercício deverá ser refeito.

Lembro, por fim, que conforme comunicado em aula, estou disponível para atendimento em minha sala (201 do Delta) às terças e sextas, duas horas antes do início da aula (mediante prévio agendamento por e-mail).

A Classe Operária como Combatente de Vanguarda pelo Socialismo - Lenin, "Que fazer?" (1902)

Obra fundamental do leninismo, Que fazer? Os problemas candentes de nosso movimento é uma das mais importantes contribuições de Lenin ao marxismo e a mais avançada elaboração sobre o método e organização do proletariado no partido revolucionário. Polêmico, chegou a ser, num primeiro momento, criticado por marxistas como Rosa Luxemburgo e Leon Trotski. No entanto, as críticas foram abandonadas graças à vitória prática do método do centralismo democrático, formulado no livro, durante a Revolução de 1905, nos anos de clandestinidade e nas jornadas revolucionárias de 1917.
Escrito como uma continuação do artigo “Por onde começar?”, publicado no número 4 do jornal Iskra, em maio de 1901, cujo conteúdo foi assimilado como base programática da ala revolucionária da socialdemocracia russa, Que Fazer? consolida as ideias sobre a organização do partido proletário. Iniciado em outubro de 1901, foi publicado logo após sua conclusão, em março de 1902, na Alemanha, pela editora Dietz.
O texto “A classe operária como combatente de vanguarda pela democracia” está incluído na parte “e” do capítulo III, “A política sindical e a política social-democrata”, de Que fazer?

O 18 de Brumário de Louis Bonaparte

"Imediatamente depois do acontecimento que surpreendeu todo o mundo político como um raio caído de um céu sereno, condenado por uns com gritos de indignação moral e aceite por outros como tábua de salvação contra a revolução e como castigo pelos seus extravios, mas contemplado por todos com assombro e por ninguém entendido, imediatamente depois deste acontecimento Marx surgiu com uma exposição breve, epigramática, em que se explicava na sua conexão interna toda a marcha da história francesa desde as jornadas de Fevereiro, se reduzia o milagre de 2 de Dezembro a um resultado natural e necessário desta conexão, e não era necessário tratar o herói do golpe de Estado a não ser com o desprezo que plenamente tinha merecido. E o quadro foi traçado com tanta mestria que cada nova revelação tornada pública desde então nada mais fez do que fornecer novas provas de quão fielmente ele reflete a realidade. Esta iminente compreensão da história viva do dia-a-dia, esta penetração clara nos acontecimentos, no próprio momento em que se produzem é, de fato, exemplar."

Friederich Engels,"Prefácio à 3ª Edição Alemã" de 1885.

Abaixo a resenha do livro feita por Vinícius Defillo Pintor:

O célebre texto onde Marx analise o golpe de Estado que levou Luís Bonaparte a se tomar Napoleão III é dividido em sete capítulos, nenhum possui título. Todos os títulos que figuram na presente resenha são de autoria do resenhista

I. Primeiro como tragédia, depois como farsa.
O capítulo inicial da obra de Marx traz uma de suas mais famosas afirmações. Recorrendo a Hegel proclama que os personagens da História se repetem, adicionando que primeiro surgem como tragédia e posteriormente como farsa. A tragédia e a farsa a qual se refere são, respectivamente, o golpe desferido por Napoleão Bonaparte em 1799 e o golpe realizado por Luís Bonaparte em 1851.
O autor advoga que os homens fazem sua própria história, mas limitados pelas circunstâncias que se apresentam a eles. Nessa situação muitas vezes voltam-se ao passado, assim o foi com os revolucionários franceses de 1789 e Napoleão que, com grande influência romana, fundaram a sociedade burguesa. Já os revolucionários de 1848-1851 fizeram reminiscência dessa própria revolução burguesa, mas de maneira fraca, como um fantasma.
 Marx afirma então que a revolução do Século XIX precisa enterrar o passado e apontar para o futuro, para o novo. Segundo o filosofo, a França ainda precisava construir as condições para que uma revolução ali fosse tomada a sério. Enquanto as revoluções burguesas do Século XVIII acumularam sucessos em seu curto progresso, as revoluções operárias dos 1800 são sempre interrompidas e parecem retornar ao mesmo ponto, sendo suas vitórias momentâneas e reversíveis. A postura dos democratas já anunciava a derrota quando acreditavam que estariam livres de Luís Bonaparte com o fim de seu mandato em 1852, não é justo dizer que a França foi surpreendida pelo golpe que ocorreu em 1851.
 No entanto algo logrou os operários quando se insurgirem e foram derrotados em Junho de 1848: Revelar que por trás da República burguesa o que havia era o despotismo de uma classe para com as outras. Por conta da insurgência operária surgiu o "Partido da Ordem" que pregando a "Propriedade, Família, Religião e Ordem" realizou vasta sorte de barbáries, colocando qualquer reformista liberal ou republicano como socialista e radical, servindo de salvaguarda ao Estado classista.

II. Ascensão e queda da burguesia republicana.
Marx afirma que a história da Assembleia Nacional Constituinte é a história do domínio e da dissolução da burguesia republicana. Apesar do partido que se expressava pelo jornal National ter projetado sua ascensão através de uma revolução liberal, foi por conta dos desdobramentos da rebeldia proletária que chegou ao poder.
Seu apogeu foi curto, tendo a longevidade apenas do último semestre de 1848. Seu principal acontecimento foi a formulação de uma Constituição. Uma Constituição que, afirma Marx, dava os direitos ao cidadão francês ao mesmo tempo em que também apresentava a supressão desses direitos através de leis orgânicas que estariam por vir. Os direitos de todos em realidade seriam direitos dos burgueses, a liberdade que existiria na constituição não existiria na realidade.
Os trechos absolutos da Constituição eram apenas os que determinavam a relação entre o Poder Executivo e o Poder Legislativo, isso se dava por conta da preocupação dos burgueses republicanos em conservarem seus postos. O Legislativo poderia afastar o Presidente constitucionalmente, mas jamais o contrário. Para o Executivo dissolver o Legislativo, seria necessário dar fim à própria constituição.
No entanto as eleições que pregavam a Constituição davam poder ao Presidente. Enquanto o voto para o Legislativo era dissolvido em 750 figuras, maioria irrelevantes, o voto para o Executivo se concentrava em uma única figura, figura que poderia se apresentar como eleita pelo povo, pela Nação, sendo sua própria encarnação e rosto. Segundo o autor, a Constituição já anunciava seu próprio fim prematuro através de um "chapéu napoleônico de três pontas".
Os burgueses republicanos que fundaram a Constituição favorecendo os burgueses e marginalizando os proletários, foram colocados de lado pelo segmento monarquista da própria burguesia que mirava a República com olhares de desconfiança.
Daí em diante os legitimistas e orleanistas trataram o Estado republicano como seu apenas para dar-lhe fim em 1851.

III. A Revolução de 1848 como revolução descendente.
No início do capítulo Marx apresenta uma de suas teses: Enquanto a Revolução Francesa de 1789 evoluiu de maneira ascendente, onde os agentes que a lideraram eram substituídos por outros agentes ainda mais radicais; a Revolução de 1848 se desdobrou de maneira descendente, onde os agentes que lideraram a Revolução foram sempre cambiados por agentes mais reacionários ao passo que o tempo progredia num período com contradições gritantes.
A eleição de Luís Bonaparte à Presidência somada à vitória do Partido da Ordem nas eleições gerais deu forte legitimidade ao governo que ali se formou. Aparentemente os monarquistas estavam triunfando contra os republicanos, representados pela Montanha socialdemocrata; para Marx, tal análise é leviana, sendo necessário revelar a luta de classes que formou essa conjuntura.
O autor atrela os Bourbon à propriedade rural e os Orléans ao Capital. A grande distinção que se dava entre os grupos do Partido da Ordem não era por conta de princípios, mas por questões de classe, a rivalidade entre elites rurais e elites urbanas. Nesse ponto Marx apresenta outra famosa e importante tese: O fundamento material de cada classe forma sua superestrutura, ou seja, sua visão de mundo, ilusões, sentimentos e etc. As querelas entre os monarquistas não eram por uma questão de defender os valores de Casa X ou de Casa Y, mas sim uma disputa por qual classe dominante subjugaria a outra.
O Partido Socialdemocrata se colocou como o grande adversário dessas elites. Formou-se tal partido sob a tutela dos pequeno-burgueses que, advoga o autor, se aproximaram dos trabalhadores para utiliza-los em suas lutas. A Montanha foi sua representação parlamentar onde derivada da aliança pequeno-burguesa com os socialistas, resultou uma radicalização das propostas socialdemocratas e uma amenização das propostas socialistas. Seu objetivo último era de utilizar o Estado para harmonizar as contradições do capitalismo, de acordo com Marx (2011. P. 63) “A Social-Democracia acredita, antes que as condições específicas de sua libertação constituem as condições gerais, as únicas nas quais a sociedade moderna pode ser salva e a luta de classes evitada”.
A Montanha foi implodida pelo Partido da Ordem quando o governo desrespeitou a constituição e os sociais democratas saíram em sua defesa. Sem apoio militar ou popular, que não tinha um parágrafo abstrato da constituição como valor a ser protegido, foram sumariamente derrotados. Para Marx, os democratas ao invés de terem se fortalecido com as forças do proletariado, acabaram apenas enfraquecendo os próprios proletários, contaminando-os com sua debilidade.
O Partido da Ordem no entanto se enfraqueceu ao derrotar seu inimigo. Ao atacarem outros parlamentares retiraram sua própria blindagem parlamentar, ao desrespeitarem a constituição, permitiram ao Poder Executivo a desrespeitar também. Nessa situação quando brigavam entre si e se davam ao luxo de gozarem de extensos recessos, alçaram ao topo Luís Bonaparte.

IV. O fim do sufrágio universal.
Marx narra a relação entre Luís Bonaparte e o Partido da Ordem no ano de 1849 como problemática. O ministério, comandado pelo Partido, anteriormente fora usado por Luís, mas naquele momento já não mais apresentava serventia, o que fez o presidente dissolver o comando de Barrot-Falloux. No período em que os usara, havia eclipsado a si frente à imagem de tal agremiação, com a nomeação de Hautpoul como ministro decidiu mostrar-se.
Nunca mais o Partido da Ordem recobraria o controle do Poder Executivo, vital na França da época. A gigante máquina estatal francesa do Século XIX se colocava como indispensável aos interesses materiais da burguesia, já que tal classe aproveita-se dela para fazer seus desejos financeiros se realizarem.
Bonaparte se engrandeceu tomando conta inclusive da Polícia. Porém, mesmo assim, a classe dominante não tomava o presidente como uma ameaça real, mas sim como um sujeito movido por devaneios.
Apesar de sua arrogância, os burgueses se deram conta de que boa parte das armas que usaram contra o feudalismo começaram a se levantar contra eles próprios. De acordo com o autor essa é a principal razão de atrelarem o nome “Socialismo” a diferentes práticas que seriam meramente liberais. A interdição da esfera pública por parte da burguesia se mostraria futuramente como um tiro no pé, já que com a interdição do debate público, eliminaram as condições de existência do parlamentarismo que os beneficiava.
As eleições de 1849 fizeram os sociais democratas renascerem no meio desse embate entre Bonaparte e a burguesia monárquica, provocando grande medo em Luís. Segundo Marx, nesse momento o presidente recuou, humilhando-se para reatar relações com o Partido da Ordem visando proteger-se dos que considerava revolucionários.
No entanto, apesar da clara importância que a social democracia apresentava, seus líderes tomaram decisões que barraram seu sucesso, advoga o autor. Por conta de uma série de posicionamentos equivocados e temerosos das verdadeiras massas, aceitaram a lei que dava fim ao sufrágio universal e estabelecia um piso de votos para a eleição de um candidato. Marx chamou tal evento de Golpe de Estado da burguesia, onde pareceram levantar-se triunfantes frente aos ataques que sofriam ao consolidar seu controle sobre as eleições da Assembleia Nacional e do Presidente.

V. Luís Bonaparte contra o Partido da Ordem.
 A lei que dava fim ao sufrágio universal mostrou-se posteriormente uma falsa vitória burguesa de acordo com Marx. Sua promulgação deu início a uma série de chantagens financeiras por parte de Luís Bonaparte para com a Assembleia Nacional que estava em posição delicada por ter violado a soberania popular. Bonaparte deixou sua postura covarde e passou a se portar de maneira combativa.
O principal aliado de Luís em sua ofensiva foi o lumpemproletariado, organizados na Sociedade 10 de Dezembro. Tal massa servia de público nas aparições de Bonaparte pelo país e se prestava ao papel de agressores tendo como vítimas os republicanos. No decorrer de suas práticas, os dezembristas acabaram por atingir inclusive membros importantes do Partido da Ordem, ao passo que foram denunciados como conspiracionistas contra a vida de ilustres parlamentares.
Nesse cenário de tensão Bonaparte passou a usar o dinheiro obtido com suas chantagens para trazer segmentos do exército a si, até o ponto em que a instituição parecia se apresentar como dividida entre o Eliseu e as Tulherias. Seu próximo passo foi o de, publicamente, apelar para a Assembleia que colocassem a ordem na França como seu valor supremo. Movimento irônico, pois encurralava o Partido da Ordem em seu próprio jogo que não reagiu tendo medo de um confronto evocar as massas populares que ainda se ressentiam contra eles ou de parecerem ser os causadores da intranquilidade aos olhos da burguesia que representavam. Luís pôde, assim, construir seu projeto de ascensão ao poder mais tranquilamente.
Encurralada, a alta burguesia que residia no parlamento se mostrou fraca, não abrindo inquérito contra a Sociedade 10 de Dezembro pela sua suposta conspiração no momento em que o evento era recente e gerava comoção social. Apenas fizeram a ação contra os lupemproletarios de Bonaparte quando não suportavam mais a figura do presidente, em um momento onde o caso parecia já batido e sem importância, quiçá falso. Segundo o autor, o Partido da Ordem evocou a paz quando esperavam que ele atacasse e atacou quando consideravam que a paz estava já selada.
Com o tempo, o Partido perdeu o controle sobre o exército, a hegemonia parlamentar, apoio popular e os ministérios. Seu confronto com o Poder Executivo foi aberto quando não podiam de maneira alguma vencer. Restou à burguesia apenas bradar contra o que ela própria havia feito em diferentes ocasiões (como ao interditar o sufrágio universal): usos não constitucionais de prerrogativas políticas.
Segundo Marx, sua última chance de revidar os ataques que sofrera foi a de adotar a popular medida de anistiar os criminosos políticos. No entanto, como poderia o Partido da Ordem dar uma chance à luta de classes que a ele tanto era ameaçadora? Preferiu curvar-se à Bonaparte do que eventualmente terem de curvar-se ao povo. No fim foram derrotados pelo inimigo que anos antes debochavam, Luís era agora o vitorioso.

VI. A querela da revisão da Constituição e seu terremoto.
 Ainda cabia à Assembleia decidir se manteria ou modificaria a constituição. Tal evento aumentou ainda mais a fragilidade do Partido da Ordem que deixou suas divergências entre legitimistas e orleanistas virem à flor da pele. Já a Bonaparte interessava a alteração para que pudesse concorrer à reeleição, enquanto os republicanos, que se julgavam vencedores antecipados, defendiam a inalteração do documento.
Os monarquistas do Partido da Ordem se colocavam em posição delicada, independente de qual postura decidissem tomar. Ou entregariam o poder a Bonaparte ou se mostrariam incapazes do êxito parlamentar ou jogariam o país ao caos revolucionário. Como se a situação já não bastasse por si só, seus membros seguiam em forte divergência acerca de qual família real serviam, negando obstinadamente uma fusão entre linhagens. Tal intriga levaria à corrosão daquilo que curiosamente havia permitido a eles uma união de interesses, a junção do Capital e da propriedade fundiária, a república.
A revisão foi rejeitada pelo parlamento. A burguesia entrara em crise interna ou por temer as consequências do caos político ou por desagrado com o voto de seus políticos, enquanto a aristocracia financeira já olhava Bonaparte com bons olhos. Luís apresentava-se como alternativa viável para a manutenção do status quo, como a melhor chance de manter a tão desejada ordem que escorria por entre os dedos dos burgueses.
O golpe tão anunciado ocorreu, a vitória de Bonaparte se deu antes do dia 2 de Dezembro. O fator chave de seu sucesso foi o abandono da burguesia, exército, massas e tudo mais que poderia ser um agente relevante em relação ao parlamento. O Partido da Ordem implodira a si mesmo quando combateu seus inimigos de classes menores e fraquejou frente a Bonaparte.

VII. Napoleão III: Possibilitador histórico da revolução proletária.
A derrota da burguesia não animou o proletariado à luta, de acordo com Marx se os operários assim o fizessem, favoreceriam um ressurgimento dos burgueses e sacramentariam uma segunda derrota proletária em tão pouco tempo. Segundo o autor, a revolução é um processo lento. O Poder Legislativo chegou ao auge para ser derrubado, assim Marx profetizava que o mesmo ocorreria com o Poder Executivo representado por Napoleão III.
Se Orléans e Bourbon representavam o Capital e a propriedade fundiária, Bonaparte representava os numerosos camponeses conservadores que mal constituindo uma classe, necessitavam de um representante messiânico superior: Napoleão.
Marx defende que o campesinato não compreende que sua miséria advém do seu modelo de propriedade, consolidado pelo primeiro Napoleão e defendido pelo terceiro. Seus interesses são contrários aos interesses burgueses e do Capital que o lança a dívidas e a consequente miséria.

Bonaparte procurou cumprir seu papel de messias e agradar a todas classes, mas se deparou com o inevitável: não se pode dar a um sem tirar de outro. Enquanto se lançava nessa missão quixotesca, favorecia o lupemproletariado com parcelas das transações. Para Marx as consequências dessa situação se mostrariam implacáveis, levando o proletariado francês a realizar sua revolução dando fim à sociedade burguesa. 


domingo, 15 de julho de 2018

Partidos, Massa e revolução: Marx depois de 1848

Para a aula do dia 20/07, sobre o pensamento de Marx após 1848, discutiremos o texto chamado "Mensagem da Direção Central à Liga dos Comunistas" de 1850.
O texto é comentado por Michael Löwy no capítulo 4 do seu livro sobre "A teoria da revolução no Jovem Marx" e também está disponível na coletânea "As armas da crítica" da editora Boitempo.

Resenha do texto “Mensagem da Direção Central à Liga dos Comunistas” de Karl Marx por Giovanna Toledo

A mensagem escrita por Karl Marx tem como objetivo apresentar detalhadamente qual deve ser o posicionamento dos operários e principalmente da Liga após as revoluções de 1848 para que esses não fiquem sob o domínio dos pequenos burgueses. 
Marx inicia o texto demonstrando que dois anos que se passaram (1848-1949) ao longo das conturbadas revoluções que fracassaram, houve uma afirmação significativa da Liga por dois motivos: ocorreu o cumprimento das expectativas que se fizeram presentes no Manifesto Comunista de uma tomada de consciência por parte dos operários e, além disso, as concepções das condições sociais que já estavam em pauta entre os membros de grupos mais restritos, passaram a se fazer presentes em todo o povo. 
Entretanto, embora tais melhorias tenham ocorrido, concomitantemente a isso houve um enfraquecimento da Liga que também é apontado pelo autor: com a chegada de tais concepções na esfera pública, passou-se a acreditar que não havia mais a necessidade de grupos secretos, além do mais, as relações com a Direção Central afrouxaram-se trazendo certa desorganização.
Se de um lado a união dos operários estavam enfraquecendo e passando por um período de desorganização, por outro, o partido democrático representado pela pequena burguesia estava cada vez mais organizado na Alemanha.  Esse contexto foi problemática do ponto de vista de Marx, pois em algumas localidades tinham pequenos grupos de operários organizados em prol de pautas locais, e tais grupos acabavam de um modo geral ficando sob a dominação dos pequenos burgueses e consequentemente perdiam sua autonomia.
Ao se deparar com tal situação, a Direção Central percebeu a necessidade da retomada da autonomia operária e para conseguir tal objetivo um emissário -  Joseph Moll - é enviado para tentar reorganizar e fortalecer a liga. O plano não sai especificamente como esperado pois ocorrem as revoluções em Maio de 1948 e Joseph vai à guerra de fato com as armas. Em 29 de Junho ele é morto. Com tal acontecimento, a Liga perde um de seus principais e mais antigos membros. 
Com a derrota por parte dos revolucionários tanto na França quanto na Alemanha, os membros da Direção Central marcam um encontro em Londres em 1949 e tem sua frente com novas forças revolucionárias e uma busca por renovação das energias.
Marx aponta que sempre foi claro que os burgueses liberais assim que conquistassem o poder o usariam contra os operários, essa visão se consolida rapidamente, quando os burgueses obtém a vitória e colocam novamente os operários na posição de oprimido. Essa conquista da burguesia parecia ser consolidada, pois a relação com o partido feudal fez com que os burgueses não tivessem a necessidade de tomar atos violentos e odiosos para se estabelecer, visto que a contra-revolução feudal já os tinha realizado. Porém Marx aponta que a reação dos revolucionários operários não será pacífica e uma nova revolução há de acontecer.
Até este momento o texto tem um viés mais contextualizador que busca demonstrar quais foram os acontecimentos que haviam levado até a situação atual - do momento do texto - mas a partir desse momento ele começa a tratar de quais serão os passos a serem seguidos para uma revolução que está por vir. 
Sendo assim, a primeira coisa a ser analisada é que o papel anteriormente cumprido pelos burgueses liberais, agora seria cumprido pelos pequenos burgueses e o partido democrata do qual esses fazem parte consiste em três “sub-grupos”: aqueles que querem o fim do absolutismo e do feudalismo, aqueles que querem a fundação de um Estado Federal e aqueles que tem como ideal uma uma República Federativa Alemã. 
E embora tais grupos auto intitulem-se como vermelhos e socialistas, somente querem apoiar-se nos proletários, mas as ações não foram modificadas de fato. Em outras palavras, como colocado pelo próprio Marx ao longo do texto, os burgueses não querem beneficiar o proletariado, mas sim, tornar sua situação mais suportável com esmolas para conseguir a força revolucionária. O que os burgueses buscam é fazer os proletários acreditaram que com as condições míseras oferecidas por serem um pouco melhores do que as anteriores, colocam fim na necessidade de revolução.
Por isso, é dever da Liga e dos operários em si tornar a revolução constante até que o poder do Estado pertence ao operário. As reivindicações burguesas não devem ser aceitas, não se pode concordar com a propriedade privada, tem de pedir seu aniquilamento. Não se deve acreditar na proposta de aperfeiçoar a sociedade, é necessário criar uma nova.
Sabendo que a democracia pequeno burguesa vai ter inevitavelmente influencia no curso do desenvolvimento da revolução, Marx aponta qual deve ser o posicionamento da liga e dos proletários em 3 momentos distintos: enquanto os pequenos burgueses ainda forem oprimidos, na próxima luta revolucionária e após essa luta.
No primeiro momento sabe-se que os burgueses buscarão uma união por encontrarem-se também oprimidos, o que se deve fazer é recusar a conciliação proposta pelos burgueses, pois a aceitação causaria a perda da autonomia por parte dos operários. Além disso, é fundamental que a Liga cumpra o papel de de realizar uma organização autônoma no próprio partido operário proporcionando que estes tomem decisão longe da influência burguesa. O filósofo também indica que no caso de haver um inimigo em comum - para os burgueses e operários - a ligação surgirá por si só, mas é essencial que nesse caso os operários afirmem sua posição não pacifista e mantenham a efervescência da revolução mesmo após uma possível vitória e também que se tenha desconfiança para com os burgueses desde o princípio
Já no segundo momento, os operários têm de armar-se e organizar-se. Nesse momento precisa ocorrer a liquidação de qualquer influência burguesa. A liga tem de se fazer presente para possibilitar tais necessidades. 
Por fim, num terceiro momento já se sabe que assim que o poder se consolidar, terá início uma luta contra os operários, por conta disso eles precisam estar organizados de maneira autônoma - como já foi pontuado. De modo mais prático, Marx aponta que assim que o governo cair é preciso que a Direção Central vá até a Alemanha e realizar um congresso com as propostas necessárias. Deve ocorrer uma união entre o clube dos operários para que se fortifiquem. Além disso, o fato principal é que tendo o governo sido derrubado, haverá uma eleição para escolher a nova Representação Nacional, os proletários devem cuidar para que não sejam excluídos em hipótese alguma de tal momento, garantindo que sejam propostos candidatos operários e não somente os burgueses.
Marx aponta que a primeira questão de desacordo entre os operários e os burgueses será a supressão do feudalismo. Por parte dos pequenos burgueses haverá a proposição de que os camponeses devem receber as terras feudais como propriedades livres. Isso, no entanto, criaria uma classe camponesa pequeno burguesa e traria os mesmos problemas anteriores de empobrecimento. É essencial que os operários se posicionem de maneira contrária a tal plano exijam o confiscamento da propriedade feudal. 
Além do que já foi demonstrado anteriormente, é função dos operários também: obrigar os democratas a concentrar as forças produtivas na mão do estado e também transformar as propostas dos democratas em ataques diretos à propriedade privada que deve ser aniquilada. Exemplo disso, nas palavras do próprio autor: 
por exemplo, se os pequeno-burgueses propuserem comprar os caminhos-de-ferro e as fábricas, têm os operários de exigir que esses caminhos-de-ferro e fábricas, como propriedade dos reacionários, sejam confiscados simplesmente e sem indemnização pelo Estado.
(ENGELS & MARX. 1982)
Em suma, Marx demonstra que já que não se pode atingir a vitória sem passar por um processo penoso e com obstáculos e oposição como este, é importante que se conheça o trajeto correto a ser seguido, tal qual ele demonstra nesse texto. Porém embora os burgueses tenham um “papel” nesse projeto, não se pode perder a autonomia para eles, pois o papel que eles cumprem é justamente de oposição aos proletários. 




Manifesto do Partido Comunista

O Manifesto do Partido Comunista foi elaborado por Marx e Engels como programa da Liga dos Comunistas por decisão do seu II Congresso realizado em Londres entre 29 de Novembro e 8 de Dezembro de 1847. Representava o triunfo dos defensores da nova linha proletária no quadro das discussões havidas no interior do movimento.
No âmbito deste debate Engels havia elaborado já um projeto de Profissão de Fé Comunista segundo a forma de "catecismo" ao tempo utilizada com frequência em documentos de diferentes organizações operárias e progressistas.
No entanto, Marx e Engels rapidamente chegaram à conclusão de que a forma de "manifesto" seria a mais adequada à nova fase e aos objetivos da luta.
Ainda em Londres e depois em Bruxelas, Marx e Engels trabalharam juntos na redação do texto. Tendo Engels partido para Paris em finais de Dezembro, a versão definitiva foi elaborada por Marx fundamentalmente durante o mês de Janeiro de 1848 e remetida finalmente para Londres, onde viria a ser publicada pela primeira vez em fins de Fevereiro do mesmo ano. 

https://www.marxists.org/portugues/marx/1848/ManifestoDoPartidoComunista/index.htm#tr1


Análise do texto por NATHALIA LEOCADIO RUBIO

MARX, K. Manifesto comunista. São Paulo: Boitempo, 1999.

I – BURGUESES E PROLETÁRIOS
Tudo nos mostra a lutas de classe entre opressores e reprimidos, que sempre resultam ora em uma transformação revolucionária, ora em uma destruição das duas classes em luta. Para Marx, seu tempo é a época da burguesia, que se conflita com a nova classe que nasce, o proletariado. Todas as condições do capitalismo, as navegações, a colonização e a busca por novos mercados e recursos impulsionaram o comércio e a industria, e consigo, a manufatura.
Logo, a manufatura suplanta os mestres das corporações, e esses, viram a manufatura insuficiente, que possibilitou o vapor e a maquinaria. A manufatura perde espaço para grande indústria, que passa seu lugar posteriormente aos verdadeiros chefes dos exércitos industriais, que chamamos de burgueses modernos.
Portanto, a própria burguesia moderna é o produto de um longo processo de desenvolvimento, de uma série de revoluções no modo de produção e de troca.
A burguesia, na teoria marxista, consegue finalmente, sob controle do mercado mundial, a soberania política exclusiva no Estado representativo moderno, no qual o governo moderno não é senão um comitê para gerir os negócios comuns de toda a classe burguesa. Entretanto, Marx diz que a Burguesia não cumpriu seu papel revolucionário nesse recorte histórico, sendo acomodada. “A Burguesia só pode existir com a condição de revolucionar os instrumentos de produção, as relações de produção e com isso, todas as relações sociais”.
A Burguesia traz com o seu sistema, grandes crises por superprodução, mas conseguem superá-las, de um lado, pela destruição violenta de grande quantidade de forças produtivas; de outro lado, pela conquista de novos mercados e pela exploração mais intensa dos antigos. Isso leva a sociedade as crises mais extensas e mais destruidoras, e à diminuição dos meios de evitá-las, pois a burguesia mundial precisa disso.
O proletário, cansado de se vender diretamente e se tornando apêndice do maquinário, está sendo desenvolvido para tirar a burguesia do poder com as próprias armas que os burgueses tiraram os senhores feudais. Já a luta da burguesia sempre ocorre, primeiro contra a aristocracia; depois, contra as frações da própria burguesia cujos interesses se encontram em conflito com os progressos da industria; e sempre contra a burguesia dos países estrangeiros, além de sua constante luta contra o proletariado (o único autêntico revolucionário, os outros são conservadores). Cada luta, antes, deve ser travada em seu país, e depois ela explode para todo o mundo, todos os movimento proletários de uma vez.

II – PROLETÁRIOS E COMUNISTAS
Os comunistas não formam um partido à parte, oposto aos outros partidos operários, porém se diferencia dos outros partidos, pois são o impulso dos demais, que prezam os interesses comuns do proletariado, independentemente da nacionalidade. Seu interesse é o mesmo que dos demais partidos proletários: a constituição dos proletários em classe, derrubada da supremacia burguesa e a conquista do poder político pelo proletariado.
Para chegar ao seu interesse, tem como objetivo a abolição da propriedade privada, pois é ela que representa a propriedade burguesa que acolhe o modo e meios de produção. Eles não querem a abolição da propriedade em geral, mas sua divisão pelo fruto do trabalho do indivíduo.
Sobre o trabalho assalariado, é o quanto o operário precisa para viver como um operário, sem evoluir.
O comunismo quer suprimir o caráter miserável desse valor de trabalho. Para o burguês o trabalho acumulado sempre gera mais acumulações para ele; no comunismo, a acumulação enriquece e melhora o modo de existência do proletário.
A questão da família no centro burguês, não existe no proletariado porque não há vida sem ser o trabalho. Passa-se da educação doméstica para a educação social, que no comunismo deve tirar as influências da classe dominante.
A primeira fase da revolução operária é o advento do proletariado como classe dominante, a conquista da democracia. Deve-se extinguir o capital, que é resultante da escravização do proletário. Marx sugere dez medidas para os países mais adiantados, que incluem taxação de impostos; abolição do direito de herança; centralização dos meios de transporte; educação pública e gratuita as crianças; dentre outras medidas voltadas para ações estatais. A partir dessas medidas, a classe proletária se converte como classe dominante e destrói violentamente as antigas relações de produção, juntamente com as classes no geral, concluindo sua própria destruição como classe e se reconfigurando numa associação do livre desenvolvimento pessoal é condicionado a partir de todos.

III – LITERATURA SOCIALISTA E COMUNISTA
1 - O Socialismo Reacionário
A) O Socialismo Feudal: Na luta das aristocracias francesa e inglesa contra a sociedade burguesa, não podiam traçar mais uma luta política séria, no qual só lhes restava uma luta literária. Nasce o Socialismo Feudal a partir da iniciativa da Aristocracia acusar a burguesia contra os interesses unicamente operários, cantarolando sátiras sobre os novos senhores burgueses. Esse socialismo feudal andava lado a lado ao socialismo clerical.
B) O Socialismo Pequeno-Burguês: Os pequenos burgueses e os pequenos camponeses da Idade Média foram precursores da burguesia moderna. Entre o proletário e o grande burguês, se aproxima do proletário devido à concorrência. Demonstrou a hipocrisia dos economistas; os efeitos ruins das máquinas e da divisão do trabalho, da concentração de capitais, da propriedade territorial, da superprodução, das crises e em último caso, da miséria do proletariado. Em prol de restabelecer as antigas relações de propriedade, na manufatura, o regime corporativo; na agricultura, o regime patriarcal.
C) O Socialismo Alemão ou o “Verdadeiro” Socialismo: Nasceu no começo da luta entre a burguesia alemã contra o absolutismo feudal, a partir de aspirações da literatura socialista da França. Essa literatura perde o significado e aparece puramente como especulação ociosa sobre a realização da natureza humana. Era o interesse do ser humano, e não do proletário. Ex: sob a crítica francesa das funções do dinheiro e sobre o Estado Burguês, os alemães escreveram da “alienação humana” e da “eliminação do poder da universidade abstrata”. Representavam, na verdade, o interesse da pequena burguesia alemã em detrimento da burguesia dominante.
2- O Socialismo Conservador ou Burguês
Uma parte da burguesia procura remediar os males sociais com o fim de consolidar a sociedade burguesa, entre eles os economistas, filantrópicos, humanitários etc. Esse socialismo burguês quer as condições de vida da sociedade moderna sem as lutas e seus perigos. Querem a burguesia, sem o proletariado. Não quer o fim das relações burguesas de produção, só reformas administrativas realizadas sob essas formas.
3- O Socialismo e o Comunismo Utópicos e Críticos
O Comunismo de antes, que falhara pelo estágio de evolução do proletário e também de suas condições materiais, preconizava um ascetismo geral e um grosseiro igualitarismo. A classe operária só existe para eles como a classe mais sofredora, querendo melhorar suas condições de vida, mas não só desse grupo
que sofre, mas de toda a sociedade, sem acabar com a burguesia. Não são reacionários, e para Marx têm uma visão futura fantasista. Procuram conciliar os antagonismos e se opõe a qualquer ação política, que pode promover uma falta de fé no novo Evangelho.

IV- POSIÇÃO DOS COMUNISTAS FRENTE AOS DIFERENTES PARTIDOS DE OPOSIÇÃO
Os comunistas voltam sua atenção para a Alemanha que está prestes a uma revolução burguesa; mas encaram essa revolução como o prelúdio imediato de uma revolução proletária. Os comunistas proclamam abertamente que seus objetivos só podem ser alcançados pela derrubada violenta de toda a ordem social existente.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

HOBBES, Thomas. Leviatã: Capítulo XXI “Da Liberdade dos súditos”

HOBBES, Thomas. Leviatã: ou Matéria, Forma e Poder de um Estado eclesiástico e civil. São Paulo: Editora Abril Cultural, 1984. Coleção Os Pensadores.

Capítulo XXI “Da Liberdade dos súditos”

I – Definição geral de liberdade
1. Significado de liberdade: ausência de oposição
2. Definição de “homem livre”: “aquele que, naquelas coisas que graças a sua força e engenho é capaz de fazer, não é impedido de fazer o que tem vontade de fazer
3. Compatibilidade de medo e liberdade
4. Compatibilidade de liberdade e necessidade

II – Liberdade no contexto da vida política
5. As leis civis
6. A liberdade dos súditos
7. Ilimitação do poder soberano de vida e de morte
8. A liberdade do Estado
9. Crítica da opinião dos antigos sobre a liberdade (Aristóteles e Cícero)

III – Da liberdade do súdito diante do soberano
10. Liberdade e obrigação dos súditos em relação ao soberano
11. Liberdade que não pode ser transferida por pacto: defesa de seu próprio corpo
12. Liberdade de desobediência
13. Confissão e obrigação
14. O consentimento do súdito ao poder soberano
15. Casos em que há ou não a liberdade de recusar às ordens do soberano
16. Deveres decorrentes do alistamento como soldado. Da natureza timorata
17. Da inexistência da liberdade de defender outrem
18. O silêncio da lei

IV – Casos em que os súditos estão dispensados da obediência a seu soberano
19. Possíveis controvérsias com o soberano: como indivíduo submetido a uma lei anterior e como detentor do poder soberano
20. Direito do soberano de revogar uma liberdade outorgada por engano
21. Da duração da obrigação do súdito para com o soberano
22. A condição de prisioneiro de guerra
23. Caso em que o soberano renuncia e volta ao estado de natureza
24. Do trânsito entre soberanias por banimento ou licença para viajar
25. Caso em que o monarca é vencido na guerra ou mantido prisioneiro

Ideia central: “em todas as espécies de ações não previstas pelas leis os homens têm a liberdade de fazer o que a razão de cada um sugerir, como o mais favorável a seu interesse”.
Consequências: Os súditos têm a liberdade de defender seus próprios corpos, mesmo contra aqueles que legitimamente os atacam; não podem ser obrigados a prejudicar-se a si mesmos; não podem ser obrigados a fazer a guerra, a não ser que voluntariamente o aceitem

Análise, comentário e interpretação de textos


Análise, comentário e interpretação de textos

  • Análise de texto: explicação expressa e explícita de um trecho preciso e delimitado de texto posto em questão – tem como objetivo o esclarecimento do texto
            A análise de texto procura provar para o leitor que o trecho preciso de texto diz alguma coisa, mostrando as razões para isso no próprio texto em questão.
    1. é indispensável apresentar razões para ler o texto da forma proposta;
    2. estas razões têm que ser tiradas do texto em questão;
    3. de pouco ou nada adianta tomar as razões da análise de outro lugar.

  • Explicação de texto: consiste em enunciar o que há num texto dado, nem mais nem menos. Explicar é desdobrar, mostrar o que está exposto, pressuposto, implicado, subentendido ou calado por um autor preciso, num lugar bem circunscrito. A explicação não se contenta em bordar sobre o que aparece, ela evidencia o que está envolvido, realça as expressões mais carregadas de sentido, faz sobressair o que está presente em baixo-relevo, classifica os elementos segundo sua importância para o movimento do pensamento e não segundo o lugar que ocupam fisicamente, detalha as articulações geralmente implícitas ou rapidamente assinaladas por termos de ligação, a fim de produzir uma argumentação racional.
            - A explicação do texto não é um pretexto para dissertar, não é um comentário e muito menos uma paráfrase ou uma reprodução pontilhista ao pé da letra.  A análise desdobra o sentido, enquanto a paráfrase e o pontilhismo o destrói.

  • Comentário de texto: não tem como objetivo apenas expor o que um autor disse num texto preciso, mas estabelecer um diálogo com ele, a fim de dar ao texto considerado sua função no interior da obra da qual é extraído e de apreciar seu papel no pensamento do autor.
      - a explicação está a serviço de um texto, o comentário interroga seu autor (sua obra, seu pensamento)
      - a explicação parte do texto e se restringe ao texto, o comentário parte do texto e não se restringe a ele;
      - a explicação pode ignorar elementos externos ao texto (a história, o conhecimento da doutrina do autor, etc), já o comentário se alimenta desses elementos.
      O comentário é também uma tentativa de solução de um ou mais problemas de análise, relacionados entre si ou não, suprindo com novos dados e novas análises uma ou mais análises prévias que terminaram em problemas. O comentário tenta recuperar a integridade da fisionomia expressiva ou argumentativa de um texto trazendo outros textos, outros fatos, contextos e razões que superam aquilo que já estava presente no texto comentado. Contudo, os comentários nem sempre alinham os diversos comentadores nos mesmos partidos, permitindo soluções diferentes para os problemas postos pela análise. Isso abre espaço para as leituras mais amplas que interpretam os autores, fundadas em análises e comentários diversos, que vão ser julgados em sua coerência. Por fim, a crítica coloca em questão as razões oferecidas pelo autor na defesa de uma tese.



terça-feira, 10 de julho de 2018

Textos de Marx/Engels na internet

Há muito material sobre Marx e o marxismo na internet.

O site abaixo contém vasto material, porém, não sempre são indicadas as referências completas das traduções, o que torna parte do material inadequado para uso acadêmico.

http://www.marxists.org/portugues/marx/index.htm

A editora Boitempo mantém um projeto de publicação integral das obras de Engels e Marx.

https://www.boitempoeditorial.com.br/products/vitrine/marx-e-engels

Para a crítica da filosofia do direito de Hegel - Introdução

Segue abaixo o primeiro texto de Karl Marx que estudaremos: a "Introdução à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel" (Zur Kritik der Hegelschen Rechtsphilosophie - Einleitung). Marx publicou em vida apenas essa introdução em 1844 nos Anais Franco-alemães, e não o livro inteiro (Há tradução lançada pela editora Boitempo). 

O texto está disponível numa ótima antologia de textos filosóficos publicada pela Secretaria da Educação do Paraná disponível no endereço abaixo (p. 460): 

segunda-feira, 9 de julho de 2018

A teoria da revolução do jovem Marx

Escrito originalmente em Paris como tese de doutorado, sob a orientação de Lucien Goldmann, a obra é essencialmente um estudo da evolução política e filosófica de Karl Marx no contexto histórico das lutas sociais na Europa durante os decisivos anos de 1840 a 1848 e, em particular, sua relação com as experiências de luta da classe operária em formação e com o primeiro movimento socialista/comunista.

Löwy relata o aparecimento, no jovem Marx, de uma nova concepção de mundo: a filosofia da práxis, fundamento metodológico de sua teoria da revolução como autoemancipação do proletariado. O livro busca compreender a gênese histórica do novo materialismo inaugurado por Marx por meio de uma pesquisa interdisciplinar que se vincula, ao mesmo tempo, à sociologia, à história social, à filosofia e à teoria política.

Fichamento do texto por Diego Noveli Valadares:

Michael Löwy, A teoria da revolução no jovem Marx, Introdução
1. Observações metodológicas
a. Premissa de um estudo marxista do marxismo
Pretende-se realizar um estudo marxista da evolução político-filosófica em Marx, e para isso é necessário inserir essa evolução na totalidade histórico-social que a condicionou e não fazer uma separação artificial entre os juízos de fato e os juízos de valor.

b. Quadros sociais do marxismo: o proletariado
O conhecimento dos quadros sociais e históricos é indispensável para compreender a evolução do pensamento de Marx, descobrir seus elementos importantes e sua significação real, situar cada elemento no todo e etc. Esses quadros seriam basicamente a estrutura econômica e social, a superestrutura política, as superestruturas ideológicas e a conjuntura histórica precisa. Outro elemento importante é a autonomia parcial da esfera das ideias, que inclui as regras específicas de continuidade e desenvolvimento das ideias, as exigências de lógica interna da obra e até os traços específicos do pensador como indivíduo. Defende que é possível um autor de uma determinada classe se identificar com outra classe, fazer obras e defender ideologias que pertencem a ela a partir do momento em que passa a ter os mesmo objetivos, metas e interesses que essa classe. Termina o tópico explicando os níveis existentes entre dois extremos: a consciência psicológica e a consciência de classes.

c. A ciência revolucionária do jovem Marx
Demonstra o aspecto monista da obra de Marx, onde os fatos e valores não estão misturadod, mas organicamente ligados ao interior de um único movimento do pensamento, de uma ciência crítica, onde a explicação e a crítica do real estão dialeticamente integradas.  A ciência de Marx é crítica e revolucionária porque se situa no ponto de vista do proletariado.

2. A revolução comunista e a auto emancipação do proletariado
a. O mito do supremo salvador
A alienação política burguesa surge através de conceitos como a livre concorrência e a propriedade privada, pois cria uma sociedade de indivíduos egoístas em luta uns com os outros que precisam projetar o interesse coletivo em algo fora da sociedade, acima dos indivíduos. Já a alienação econômica acontece quando existe a separação entre o indivíduo produtor e o conjunto do processo de produção, que o fazem acreditar em um conjunto de leis econômicas “naturais”, estranhas à sua vontade. Essa relação da alienação econômica com a alienação política acaba gerando o mito do supremo salvador na constituição do Estado liberal.

b. A auto emancipação operária
Assim como os burgueses, o proletariado tinha seus próprios mitos no início. Acreditavam que a mudança viria do alto, através da ajuda de instituições já existentes. Os momentos de crises e revoluções, entretanto, acabaram gerando um novo ponto de vista nessa questão, e o proletariado passou a ter consciência de que a mudança poderia ser feita através da força das massas.

c. O “comunismo de massas” de Marx

A ideia principal do comunismo de massas é a da autolibertação das massas através de uma revolução comunista. O caráter revolucionário e comunista do proletariado é o traço de união entre a teoria política de Marx e a sua sociologia, economia, filosofia da história, etc. Vendo os movimentos e grupos autônomos de operários surgindo, Marx passa a considerar o seu papel e o dos comunistas como um instrumento da autolibertação das massas.